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Polêmica do dia: Downloads gratuitos prejudicam os artistas?

janeiro 22, 2010

Já dizia Charles Darwin, A espécie que sobrevive não é a maior ou a mais forte: é aquela que melhor se adapta. E mais uma prova de que o Darwinismo pode se aplicar aos mais variados assuntos, tanto naturais quanto humanos e sociais.

Com o surgimento dos programas de compartilhamento de arquivos “Peer to Peer” (ou simplesmente p2p, que permite que arquivos sejam compartilhados diretamente de vários computadores pessoais, sem ter que ser armazenados num servidor.) a Indústria fonográfica se viu ameaçada: Arquivos de audio digital poderiam ser distribuídos gratuitamente, eliminando a necessidade da pessoa comprar o disco. Medidas começaram a ser tomadas, nos EUA, pessoas foram presas para servir de exemplo. o problema ocorrido foi: como os mandados de prisão eram aleatórios, ocorriam casos como o de uma menina de 12 anos autuada por download ilegal, e de uma senhora idosa que havia morrido dias antes do mandado de prisão. FAIL da polícia. xD

Outros exemplos do ataque aos baixadores compulsivos foram: o Metallica ter processado o Napster, por ter tido demos publicadas sem seu aval na internet. os suecos criadores do tracker de BitTorrent chamado The Pirate Bay terem sido processados por diversas empresas de entretenimento e julgadaos pela justiça sueca, gerando protestos por parte dos simpatizantes dos downloads, e o site ter sido fechado, (o The Pirate Bay sobreviveu, mas o Mininova não escapou! e o Torrent Reactor ainda funciona). Ed O’Brien, do Radiohead, Dave Rowntree, do Blur, e Tim Rice-Oxley, do Keane, são alguns dos músicos que aderiram ao movimento ‘Featured Artists Coalition’, contra a idéia de um projeto de lei que visa combater os downloads ilegais. O objetivo do projeto de lei é punir quem persistir em baixar músicas ilegalmente. A proposta é que sejam enviados aos usuários até três avisos e que depois se proceda a uma redução significativa da velocidade da conecção à Internet, caso continuem com as infrações.

Enquanto isso, alguns artistas tentam se reinventar para poder viver esta era dos downloads. Um avanço seria o download pago, pelo qual se paga de um a dois dólares por música. empresas como Amazon.com e Apple, por meio do iTunes exploram bem este conceito. isso seria bom por exemplo para aqueles que compram um CD por causa de uma ou duas musicas que estão nele. O que o Radiohead fez foi uma revolução: lançou seu álbum In Rainbows primeiro na internet, podendo o usuário pagar o quanto quisesse pelo download, ou até não pagar. (Thom Yorke revelou depois que os mais generosos foram os espanhóis e os mais canhengas foram os brasileiros. por que será que eu não fiquei surpreso?) O Próprio The Pirate Bay é palco de estratégias para reafirmar os pontos positivos dos downloads. a banda sueca Lamont, de glam rock, decidiu oferecer o seu álbum de estreia Golden Daze na Internet. O sucesso alcançado foi quase instantâneo, com mais de 100 mil downloads em 24 horas. a popularização da banda acarretou em vários convites para shows, eventos e contratos com gravadoras.

seguem algumas opiniões (divergentes entre si, por sinal) de artistas sobre os downloads.

Rafael Bittencourt, do ANGRA, em entrevista ao HEAVY METAL WAY:

Infelizmente, vivemos a era do ‘compartilhamento’ via Internet, onde pode-se encontrar fácilmente o “Brainworms” para download. Na sua opnião, qual a solução para esta praga que afeta músicos e todo o mercado da música ?

Rafael Bittencourt: Esta é uma questão difícil. Estamos todos no cenário musical quebrando a cabeça para encontrar uma saída e aparentemente ninguém tem a solução. Quando um supermercado é saqueado, não existe solução a não ser, reconstruir do Zero, investir em segurança etc. Quando uma onda de invasão de supermercados é incorporada pela população ao ponto de as autoridades largarem mão de intervir, isso gera uma discussão profunda sobre civilidade e instauração da democracia. Uns dirão que se a maioria assim quer, a voz desta maioria – no caso a população invasora – deve valer como lei. A minoria – os donos de supermercado, fornecedores, trabalhadores da área etc – gritará por socorro porque estará sendo MUITO prejudicada.
Quem tem a razão? Difícil… Estamos neste impasse. As pessoas cometem diariamente infracções anonimamente na internet e em algumas áreas a net virou terra de ninguém. Hoje a lei, quase no mundo todo, não permite que as pessoas se apropriem sem autorização de fotos, músicas, programas etc. Mas isto virou parte do dia-a-dia das pessoas porque não há mecanismos para impedir. É um assunto extenso… Estão em vantagem os países que têm uma boa estrutura social e de educação. EUA, Suécia, Alemanha, Inglaterra, Suíca e Japão estão entre os que mais arrecadam com download pago. Porque o povo é mais civilizado e não quer prejudicar o seu ídolo. Em países em desenvolvimento como o Brasil, Congo, Indonésia, Malásia etc. a falta de educação é um problema mais crítico que atinge todos os campos sociais e ninguém quer fazer sua parte.

Bruce Dickinson, do Iron Maiden em comversa com o DNAIndia.com

“Isso afeta artistas que mantém relações apenas com suas gravadoras e dependem da venda de seus discos e não de seus fãs”, disse. “Duas décadas atrás, as gravadoras detinham o monopólio sobre a indústria da música, porém agora há mais competição e democracia. Talvez a indústria esteja retornando aos anos 20 e 30, quando a música era tocada ao vivo sem gravadoras”.

Quanto aos bootlegs e troca de material via internet, Dickinson comentou: “Isto também é algo que tem a ver com nossa relação com os fãs. Estamos cientes que nossas gravações extra-oficias de shows ao vivo são frequentemente baixadas na internet e algumas são muito boas.”

“Os fãs também compram as mercadorias oficiais, que garantimos ter boa qualidade. Entretanto, o que não endossamos são as pessoas que lesam nossos fãs e a banda com material de péssima qualidade”.

Vivan Campbell, guitarrista do DEF LEPPARD, sobre porque depois de 30 anos no mundo da música, a banda está vendo seu público cada vez mais jovem.

“Isso é um produto da pirataria da música mais do que tudo”, explica Campbell. “Não estou dizendo que seja ruim. Acho muito bom, na verdade. Muitos garotos começam a ouvir os clássicos pois trocam arquivos. Eles têm 4.000 ou 5.000 músicas em seus iPods, ou seja $4000 ou $5000 em seus iPods, pelo preço do iTunes, pelo menos. Um garoto de 12 anos não pode pagar isso. Quando crianças trocam arquivos, atualmente é uma coisa boa para as bandas clássicas como nós. Isso apenas não é bom para as bandas novas que estão surgindo e precisam vender álbuns”.

Sharlee D’Angelo, baixista do Arch Enemy, em entrevista com o site grego Metalpaths.

Nós estamos em uma crise financeira mundial. Você acha que a crise tem um efeito negativo para a música também? Muitas gravadoras estão falando sobre a abolição material dos CDs e sua substitução por álbuns digitais. Qual é o seu ponto de vista?

Sharlee: “Eu sou um cara old school. Quero dizer, quando eu cresci, a princípio existia o vinil. Então, para mim foi um retrocesso o CD. Agora, não ter nada, realmente não é para mim, mas eu entendo como os jovens ouvem música basicamente através de seus telefones (risos). Mas o negócio é que as bandas passam muito tempo no estúdio, fazendo discos perfeitos, a maneira como eles querem que soem, que é irrelevante hoje em dia porque as pessoas ouvem música através do telefone celular, então, qual é o objetivo de produzir um álbum (risos)? Há muitas maneiras diferentes de ver isso, mas para isso, os tempos mudam e você tem que ir com ele, mas pessoalmente eu gosto do produto físico”.

Dani Nolden, vocalista do Shadowside, ao site brasileiro Rock Way:

Dani, vivemos a era do “compartilhamento” via internet. Por um lado, o artista consegue chegar mais facilmente na casa do fã, por outro, gasta-se muito dinheiro na produção de um CD ou DVD para ser “baixado” sem o merecido pagamento e reconhecimento. Qual a sua avaliação?
Dani Nolden: Eu ainda não tenho certeza se o CD realmente é baixado dessa forma… será mesmo que o fã que baixa música compraria tudo que ele baixa? Eu, sinceramente, acredito que se houve uma queda significativa nas vendas, foi porque o público simplesmente deixou de comprar um disco inteiro por causa de apenas uma música, como era o caso antigamente. Se ninguém mais compra discos, como uma banda nova como o Evanescence vendeu milhões de cópias? Claro que se gasta muito dinheiro na produção de um disco. Claro que nós queremos vender. Mas o público decidiu que o compartilhamento de arquivos está aqui para ficar. Ninguém mais compra um álbum sem escutá-lo inteiro antes. Então cabe a nós, artistas, nos adaptarmos.. Nós permitimos que as pessoas escutem o Dare to Dream inteiro no nosso MySpace, todos na Espanha, sem exceção, haviam baixado o Dare to Dream antes da nossa turnê por lá, porque o disco ainda não estava disponível no mercado. Então, eles foram aos shows e vendemos discos ou camisetas para mais da metade do público presente em todas as apresentações. Aqui no Brasil, fomos um dos CDs mais vendidos no país, logo no mês de lançamento, ao lado de bandas como Heaven and Hell e Iron Maiden. Acho que tudo isso força as bandas a fazerem discos excelentes e não apenas duas ou três faixas fortes, explorar mais merchandising como camisetas e outros artigos, além de pensar em formas alternativas de vender música, como mp3 players com a discografia da banda, com vídeos, fotos, arte gráfica, tudo dentro de um pendrive/mp3 player, e repensar em estratégias para vendas de CDs, enquanto esse tipo de mídia ainda sobreviver. Não adianta chamar o fã de ladrão e dizer que ele tem que comprar seu disco. Se ele tem dinheiro para comprar apenas um disco e precisa escolher entre o seu ou de outro, ele vai escolher o que gosta mais. Se ele ainda não tem e pretende juntar, ele vai baixar as músicas para escutar enquanto isso. Se ele não pretendia comprar, mas vai a um show, é bem possível que ele acabe “contagiado” pela energia do show e mude de ideia na hora. O formato da indústria mudou e nós temos que mudar com ela.

Este que vos escreve, em particular, concorda plenamente como que disseram a vocalista Dani Nolden e o baixista Sharlee D’angelo. Este é o motivo pelo qual iniciei o post com uma citação de Darwin. Gosto muito de ter o CD em mãos original, ler o encarte com as letras, informações e tudo o mais. Mas também vejo nos downloads uma forma de conhecer novas bandas, novos artistas, e novos sons de velhas bandas e artistas, ou mesmo manter um acervo digital de diferentes épocas e estilos. outro motivo é a dificuldade em encontrar títulos de meus artistas preferidos, ou o alto preço que às vezes é preciso pagar. um DVD original de um show, por exemplo, não sai por menos de R$ 40,00. além disso, muitos dos meus CDs físicos eu ouvi antes via download.

O mundo evolui. nós, que vivemos nele, ou nos adaptamos, ou pereceremos!

tenham um bom dia! quero ver a polêmica formada! XD

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Tim Burton para Insônia!

janeiro 22, 2010

Bom dia, raros caros visitantes!

insone estou nesta madrugada, peregrinando por esta terra de ninguém que é a internet, atrás do que quebrar meu tédio… xD

Enfim, no primeiro post de 2010, eu gostaria de postar uma excelente animação em Stop-motion, a primeira da carreira do hoje consagrado diretor Tim Burton. O que me atrai tanto nas suas produções é seu estilo sombrio, enigmático e exótico, ora no formato de animação, ora no formato de filme “Live action”… o que foge bem do lugar comum das produções Hollywoodianas hoje em dia. algumas produções notórias dele são The Nightmare before Christmas (O Estranho mundo de Jack), Edward Scissorhands, Corpse Bride, Sweeney Todd, o mais recente e interessantissimo “9”, e sua vindoura versão para o clássico Alice no País das Maravilhas. (este último com verba da Disney. viva o capitalismo, ou melhor, não!)

A Estréia de Tim Burton no campo da animação Stop-motion é com o excelente curta “Vincent” que conta a história de Vincent Malloy, um garoto de 7 anos que quer ser como Vincent Price. A narração é do próprio Price.

Até mais!