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Cruz Suástica: um símbolo de boas energias

abril 4, 2010

Boa noite, caros visitantes!

Antes de mais nada, quero ressaltar que o objetivo principal deste post é desmistificar a imagem da suástica como sendo um símbolo exclusivamente nazista e falar dos reais significados que pode ter nas diversas culturas em que aparece, dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas, dos Gregos aos Hindus.

O nome suástica vem da palavra sâncrita svastikah (स्वस्तिक), que significa bem-estar e boa fortuna. é basicamente uma linha reta com braços perpendiculares a cada extremidade, seguindo em direções opostas. Uma característica fixa é a rotação em 180° de simetria e não eqüilateral – portanto com ausência de simetria reflexiva entre as suas metades. É um símbolo que existe a mais de 5000 anos e desperta curiosidade por ser encontrado em numerosas culturas que não tinham conhecimento umas das outras, porém os desenhos de suásticas costumam ser bem diferentes.

A Suástica é encontrada em templos hindus, símbolos, altares, quadros e na iconografia sagrada que há por toda parte. É usada em todos os casamentos hindus, nos festivais, em cerimônias variadas, nas casas e portões, em roupas e jóias, meios de transporte e até mesmo como elemento decorativo de pratos diversos, como bolos e massas. O deus Ganesha é frequentemente retratado sentado em uma flor de lótus sobre uma cama de suásticas, e/ou com uma suástica na palma da mão. Para o Hinduismo, os dois símbolos representam as duas formas do deus criador, Brahma: voltada para a direita (卍), a cruz representa a evolução do Universo (ou Pravritti); para a esquerda (卐), simboliza a involução do Universo (Nivritti). Também pode ser interpretado como representando as quatro direções (Norte, Leste, Sul e Oeste), com significado de estabilidade e solidez.
É um dos 108 símbolos de Vishnu – e representa ali os raios do Sol, sem os quais não haveria vida.

Ganesh

Ganesh

O Jainismo dá mais ênfase à suástica que o Hinduísmo. Representa o sétimo Jina (Santo), o Tirthankara Suparsva. É considerada uma das 24 marcas auspiciosas, emblema do sétimo arhat dos tempos atuais. Todos os templos do Jain, assim como seus livros santos, contêm a suástica. Suas cerimônias começam e terminam com o desenho da suástica feito várias vezes em volta do altar.

A suástica estava também presente na mitologia eslava pré-cristã. Era dedicada ao deus do Sol, chamado Svarog, e tinha o nome de Kolovrat (em polonês: kolowrót). Na República Polonesa o símbolo da suástica era popular entre os nobres. As crônicas registram que o príncipe Oleg, varangiano (um dos povos escandinavos), que no século IX junto aos seus guerreiros vikings russos conquistaram Constantinopla, havia inscrito uma suástica vermelha nos portões daquela cidade. Várias das casas nobres da Polônia, como por exemplo Boreyko, Borzym, e Radziechowski da Rutênia ostentavam suásticas em seus brasões. As famílias alcançaram a nobreza entre os séculos XIV e XV, e a cruz suástica pode ser vista em muitos livros de heráldica então produzidos.
O Museu do Vaticano contém várias amostas de cerâmica etrusca com a suástica representada.

Na Finlândia a suástica era usada como uma marca nacional e oficial do Exército Finlandês entre 1918 e 1944, e também pela Força Aérea daquele país por algum tempo. A cruz era pintada nos aviões na cor azul claro sobre um fundo branco. A suástica azul era um símbolo de boa sorte usado pela família sueca do Conde Eric von Rosen, que doou o primeiro aeroplano para a Finlândia para a “Guarda Branca” durante a guerra civil daquele país. A suástica aparecia em muitas medalhas e condecorações finlandesas. Isto se deu sobretudo durante a Primeira Guerra Mundial. A “Cruz de Mannerheim” era a equivalente finlandesa para a Cruz da Vitória ou Victoria Cross, a Croix de guerre ou a Medal of Honor. Não havia qualquer conexão oficial com o Partido Nazista, mas representava a “Cruz da Liberdade”, uma antiga ordem finlandesa. Entretanto, houve uma aproximação com a Alemanha nazista, uma vez que Rosen foi um dos fundadores do Nationalsocialistiska Blocket – a versão nazi sueca de partido político. Posteriormente Rosen ganhou uma maior e íntima ligação com a Alemanha nazista com o casamento de Hermann Göring com Karin Kantzow, que era irmã de sua esposa.

O Budismo foi fundado pelo príncipe hindu Siddhartha Gautama. As duas formas da suástica são uma herança dessa cultura. A suástica marca as fachadas de muitos templos budistas e qualquer das duas variantes costumam ser desenhadas no peito de muitas esculturas de Buda, e freqüentemente aparece ao pé da estatuária de Buda.
Em razão da associação da suástica voltada para a direita com o nazismo após a segunda metade do século XX, a suástica budista, fora da Índia, tem sido utilizada apenas na sua forma (卍 – virada para a esquerda).
O budismo explica que o símbolo gira no sentido horário e, automaticamente, absorve energia do universo, promovendo a auto-salvação de quem a usa. Ao girar no sentido anti-horário, ela emite energia, oferecendo a salvação ao próximo.

Suástica em um templo budista da Coréia.

Suástica em um templo budista da Coréia.

Buda, com a suástica voltada para a direita.

Buda, com a suástica voltada para a direita.

A suástica, usada na arte e escultura budistas, é conhecida dentro da língua japonesa como “manji” (que, literalmente, pode ser traduzido como: caractere chinês para eternidade – 万字), e representa o Dharma, a harmonia universal, o equilíbrio dos opostos. O símbolo virado à esquerda representa amor e piedade; voltado para a direita é força e inteligência. Observe que as galáxias são estruturadas desta forma, e os nossos centros de força (Chakras) também possuem esse desenho.

A suástica no Nazismo tem as suas pás invertidas e é inclinada 45º:

suasticas

Com a alteração estética no símbolo, Adolf Hitler, que era ocultista e sobreviveu a 42 atentados contra a sua vida sem ferimentos, queria representar o roubo da energia do universo para seus propósitos. A ideia era paralisar o tempo e iniciar os mil anos de domínio da Nova Ordem: o 3º Reich. O Partido Nazista ( Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei ou NSDAP ) formalmente adotou a suástica ou ‘Hakenkreuz ‘ (cruz curva, numa versão literal) em 1920.
O símbolo era usado na bandeira do partido, distintivos e braçadeiras – embora tenha sido não oficialmente usado pelo NSDAP e seu antecessor: o Partido dos Trabalhadores da Alemanha (Deutsche Arbeiteerpartei – DAP)

Em Mein Kampf, Adolf Hitler escreveu:
“Eu, enquanto isso, depois de tentativas inumeráveis, tinha colocado uma forma final; uma bandeira com um fundo vermelho, um disco branco, e uma suástica preta no meio. Depois de tentativas longas eu achei também uma proporção definida entre o tamanho da bandeira e o tamanho do disco branco, como também a forma e espessura da suástica.”
Vermelho, branco, e preto – usadas por Hitler – já eram as cores da bandeira do velho Império alemão.

Me sinto na necessidade de levar essas informações às pessoas para evitar constrangimentos como o que um casal proprietário de uma loja no Rio de Janeiro passou, na seguinte notícia de 12 de Fevereiro de 2010:

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Policiais civis apreenderam um biombo com cerca de dois metros de altura que traz a figura de um Buda com a cruz suástica (não invertida nem inclinada) no peito, na loja de bijuterias e decoração oriental Cheia de Graça. Atenderam a uma denúncia de que a imagem faz apologia ao nazismo.

– Vamos apurar também junto ao fabricante da peça, no Rio Grande do Sul, se há tentativa de propaganda escamoteada – afirmou o delegado Henrique Pessoa, responsável pelo Núcleo de Combate à Intolerância Religiosa.

Estupefatos, os proprietários da loja não compreenderam a ação.

– Isso tudo é de uma ignorância sem comentários. Esse símbolo existe na cultura oriental há mais de 5 mil anos, quando o nazismo nem pensava em nascer. Tentei evitar a confusão, mas não teve jeito: a polícia apreendeu o biombo e eu estou nervosa até agora com essas acusações – desabafou a proprietária Samara Nolding.

De acordo com o marido de Samara, também proprietário da loja, o biombo custa R$ 590 e foi fabricado há cerca de dois meses. O casal é de Florianópolis (SC) e mantém 13 lojas em vários estados.

– É muito ruim você estar 100% certo e sofrer punição como se tivesse cometido algum erro. Esta sensação é horrível e irreparável. Tinha uma festa e Carnaval na escola da minha filha que nós não tivemos como ir – disse José Henrique, que faz questão de ressaltar que é católico.

Autores da denúncia, o deputado estadual Gerson Bergher e a vereadora Teresa Bergher, ambos do PSDB, acompanharam a operação junto com membros da colônia judaica.

– Vivemos em um mundo globalizado e ninguém pode desconhecer o que é a cruz suástica. Criada pelos povos antigos como um símbolo do bem, ela foi incorporada ao nazismo por Adolf Hitler. A sociedade deve denunciar – protestou Teresa.

A mesma notícia é veiculada no website da vereadora em questão, mas com informações deturpadas, como por exemplo a que os donos da loja “alegaram desconhecer que a cruz suástica fosse um símbolo nazista, foram encaminhados à delegacia, onde prestaram depoimento à tarde.” e mostrando apenas seu próprio ponto de vista.

Por increça que parível, são políticos os responsáveis por atos levados adiante por pura ignorância. Se a suástica budista deve ser coibida, deve-se proibir crucifixos, estrelas-de-davi, crescentes islâmicos, entre outros símbolos religiosos, tendo em vista que os seres humanos são todos iguais e que cada um de nós tem o direito de ter uma crença, ou não. Precisamos de governantes para nos assegurar de nossos direitos, e organizar, e não criar confusão por pura ignorância e estupidez!

êe, Brasil….

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